Um exemplo interessante, este, de uma estação de televisão não convencional. A FORA.TV, é um projecto online que se dedica a recolher informação enviada por várias organizações, oficiais ou não, e que tem já uma comunidade interessante, que colabora activamente no projecto.


Nunca é demais ouvir Dan Gillmor dissertar sobre jornalismo participativo. Como o próprio diria: aqui está um suculento naco de prosa.


À pergunta “Is there a citizen journalism in Portugal?”, António Granado, editor multimédia do Público, respondeu o seguinte: “I don’nt there is any yet”. A questão foi colocada por Paul Bradshaw, numa entrevista publicada no seu blogue no passado dia 29 de Novembro. Trata-se de um sério aviso à navegação - leia-se ao público em geral.


Mais uma base de dados online para fotógrafos, amadores e profisionais, disponibilizarem as suas fotos para todo o mundo. O Citizen Side é um site françês e foi parcialmente adquirido pela France Press. A agência está sempre atenta às novas oportunidades do mercado.


A minha TV

05Dez07

Ter um canal de televisão totalmente personalizado deixou de ser uma utopia com o advento de vários de tipos de portais de video streaming. O Mogulus é um dos mais recentes e tem já milhares de subscritores, entre eles alguns canais portugueses, como o Trofa Tv. Este suporte de canais personalizados poderá tornar-se num fenómeno comparável ao Youtube.


Scoopt é uma base de dados na qual os utilizadores - profissionais e amadores - disponibilizam as suas fotos para uso jornalistico. Numa breve visita ao site descobri uma foto nacional, da autoria de Nuno Guimarães:

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Para o bem e para o mal, as ferramentas de que hoje dispomos para denunciar no espaço global são quase infindáveis. Dan Gillmor diz que, hoje, o público se tornou num “esquadrão da verdade”, capaz de abalar os maiores monopólios. O cidadão activista coloca, se tiver argumentos consistentes e credíveis para o fazer, um assunto na agenda mediática e pode conhecer alguns factos que as instuições mais poderosas preferiam ver escondidos da opinião pública. Em Portugal o caso da licenciatura de José Sócrates foi pela primeira vez aborado por um blogger em 2003 e só este ano é que foi amplamente tratado nos media institucionais. O endereço McSpotlight, dedica-se há largos anos a dissecar todos os crimes nutricionais e as campanhas enganosas da mais poderosa cadeia de fast-food do mundo. A Intel, gigante de Sillicon Valley, deparou-se em meados dos anos 90 com uma denúncia na Net de imperfeições nos primeiros PC’s Pentium. Consequência: milhares foram retirados do mercado. Exemplos positivos mas, infelizemente, ainda pouco comuns na enchurrada de informação online.  Há, como sabemos, uma distância mínima que separa a denúncia - verdadeira e fundamentada - da mais baixa manipulação. Acreditemos, no entanto, que o esquadrão da verdade vai vingar e que se tornará num dos pilares do jornalismo participativo do futuro.


Wiki e rápido

17Nov07

Os Wikis são ainda um meio visto com alguma desconfiança, precisamente pela sua maior potencialidade, que é a total liberdade editorial. Num Wiki, ao contrário de um blogue, o conteúdo é totalmente aberto e editável. Única barreira: o registo prévio. O meio existe e tem potencial, senão vejamos o que diz Dan Gillmor: “à medida que se tornarem mais fáceis de usar, transformar-se-ão num meio bem preparado para a recolha de informações com origens diversas, coligidas por pessoas colocadas em lugares geográficos distintos”.Os Wikis são o paradigma da Obra Aberta, profetizada por Humberto Eco. Vejamos o exemplo de um wiki “académico” da autoria de Paul Bradshaw, sobre jornalismo de investigação nos blogues.


Epifania

16Nov07

Dale Peskin, co-director do The Media Center, do American Press Institute diz, na Introdução à obra “We Media – como as audiências estão a mudar o futuro das notícias e da informação” que há três formas de ver como uma sociedade é informada:

1ª  A forma passiva: “As pessoas são crédulas e lêem, escutam e vêem quase tudo”.

2ª A forma massiva: “A maioria das pessoas requerem um intermediário informado para lhes dizer o que é bom, importante ou significativo”.

3ª A forma activa: “As pessoas são muito inteligentes. Fornecendo-lhes os meios, podem organizar as coisas por si mesmas e encontrar a sua própria versão da verdade”.

 A verdade está aí, para quem a quiser ver e ouvir. Sobretudo para quem a quer construir.


Dan Gillmor parte de uma premissa brilhante no seu ensaio “Nós Os Media“, advogando o seguinte: “Os meus leitores sabem mais do que eu”. O jornalismo de massa impõe uma hierarquia na produção e recepção de notícias,verticalizando as mensagens. No topo está a produção de notícias, na base estão os receptores das mesmas, sem que se olhem as margens e as informações que nelas possam estar inscritas. É precisamente para essas margens que Gillmor aponta quando fala nos seus leitores esclarecidos. Caberá ao jornalismo participativo o papel de lhes dar voz, de tornar mais diversa, e logo mais verdadeira, a notícia. É no público, anónimo mas interessado, que o jornalista poderá encontrar a informação que faltava, a última peça que fará todo o puzzle encaixar. Mas para isso terá de ter a humildade de reconhecer que, algures, haverá maiores e melhores fontes para o seu trabalho.